Análise: semifinal do Paulistão entre Corinthians e Mirassol



Neste próximo domingo (02), Corinthians e Mirassol farão um dos confrontos da semifinal do Campeonato Paulista, na Arena Corinthians, em Itaquera. Apesar dos dois times terem técnicos qualificados, ambos se comportam de maneiras diferentes dentro das quatro linhas, por conta da distinção do plantel de jogadores.

Pela parte do Timão, Tiago Nunes parece ter encontrado o time ideal com Éderson atuando de segundo volante. Após a entrada do jovem de 21 anos no lugar de Camacho, a equipe alvinegra ganhou uma saída de bola mais rápida e um ataque agudo, de forma vertical.

Com tudo isso somado ao retorno de Jô, o Tiago armou táticas para assegurar ainda mais a posse de bola. Antes, sem o Cantillo, o articulador das jogadas no meio de campo era o Luan, deixando o camisa 7 fora da posição de origem e sobrecarregado na armação do jogo. Agora, o centroavante cria do Terrão faz o pivô e amortece a bola para os ponteiros ou para o próprio Luan.

Assim, o Corinthians diminui aquelas bolas esticadas, característica principal de Cantillo. Na partida contra o Red Bull Bragantino, na última quinta-feira (30), houve um excesso de triangulações realizadas, a justificativa é a movimentação do camisa 77.

O Boselli não é um atacante que se preocupa em sair da área, o Tiago Nunes até tentou fazer o argentino se adaptar, mas não deu certo. Em seguida, começou a abusar da criatividade do volante colombiano, deixando o Boselli estático em sua posição e o Luan como um meia-atacante.

De certa forma, esse estilo de jogo não funcionou por causa da escassez de um ponta-esquerda habilidoso. Quando um time joga por bolas longas, acaba ficando necessitado de jogadores velozes e com boas tomadas de decisões – certamente não é o Janderson e nem o Everaldo.

Por conta disso, Jô e Éderson se tornaram jogadores fundamentais no elenco. O centroavante e o volante deram liberdade para o Tiago Nunes escalar dois atacantes que seguram a bola: Ramiro e Mateus Vital. Aquele jogo lento, demorado, toques de bola longos e viradas de campo serão mais difíceis de se observar no “novo normal” corinthiano. O professor usufruiu muito bem da parada para estudar as peças que tem, e se adaptou a um estilo de jogo mais versátil e triangular.


O Mirassol, por sua vez, é um dos clubes – se não o maior – mais prejudicados durante a paralisação das competições devido à pandemia do novo coronavírus. A equipe do interior perdeu 18 atletas por questões contratuais, um deles foi o meio-campista Camilo, que vinha sendo o destaque do grupo. 

Sabendo das limitações impostas, o Ricardo Catalá, técnico do verde-e-amarelo, armou uma estratégia de contragolpe e elaborou diversas jogadas ensaiadas. No jogo das quartas de final contra o São Paulo (3 a 2), por exemplo, o primeiro gol surgiu de um escanteio ensaiado, onde o atacante Zé Roberto se posiciona na meia-lua e espera a bola alçada na marca do pênalti.

Entretanto, o segundo gol saiu de um contra-ataque pela ponta direita. Catalá tem preferência em esperar o seu adversário se expor, para depois sair em velocidade. Tudo isso se dá pela limitação do elenco, mas não de qualidade técnica, e sim física.

Ricardo promoveu 11 atletas das categorias de base ao profissional e, além da intensidade dos treinos ser maior, estamos passando por um momento em que todos os jogadores estão mal fisicamente – recompor o ritmo após quatro meses parado é absurdamente difícil. Portanto, é mais fácil dar a bola para o adversário, esperar ele errar e atacar quando houver um momento de fragilidade.

Contudo, podemos esperar um Corinthians propondo mais o jogo, enquanto o Mirassol será paciente e objetivo, aproveitando todas as chances que aparecerem. Será uma partida vistosa acima de tudo, são dois clubes que voltaram a todo vapor e estão prontos para serem finalistas do Paulistão 2020.

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